Enquanto a indústria alimentícia se contorce em meio a fórmulas químicas, tentando oferecer a baixo custo produtos que resolvam a questão da fome, estimulando assim um maior consumo alimentar, a sociedade contemporânea cobra do cidadão comum um corpo cada vez mais magro, como se todos tivéssemos a missão de um dia atuar como manequins de moda. As mulheres, muito mais que os homens, se cobram atitudes nem sempre viáveis o que acaba por gerar um desconforto geral.

O trabalho exige dedicação plena e a pressa do mundo moderno nos consome cada dia mais. Por sua vez, a mídia aponta dois modelos que se opõem, aumentando um pouco mais a nossa angústia. Ou é o americano comum, próspero e obeso, ou a modelo famosa que sempre nos parece mais magra. Comemos muito e mal e para alcançar a meta do corpo magro, optamos por reduzir a quantidade de alimentos, pouca importância dando à qualidade da dieta. Mas o nosso organismo tem necessidades definidas, que precisam ser consideradas. Se o tempo é escasso, o problema é nosso, pois o nosso corpo não para até que consigamos organizar a vida. Ele executa ordens cerebrais, responde a estímulos hormonais, torna real a informação contida nos genes, para que a vida prossiga sem tropeços. Mas, como atender com eficácia tantas solicitações, se o material que recebe por meio do que comemos nem sempre contém tudo o que precisa?

O excesso de exercícios físicos é outra forma comumente utilizada para uma perda importante de peso. Há que se considerar que esta atividade requer uma dose extra de nutrientes, sendo necessário adaptar o cardápio, sob pena da redução ou perda da imunidade. Impõe também um gasto energético maior, estimulando a produção de radicais livres e acelerando o envelhecimento. E aí fica a pergunta: para que tanto esforço em nome da estética, se a aparência jovem é a primeira que se perde?

Como em tudo na vida, precisamos encontrar o ponto de equilíbrio. O nosso ancestral aprendeu a armazenar nutrientes no próprio corpo, o que garantiu a sobrevivência da espécie. Nós também precisamos ter  alguma reserva, para os tempos de crise. Doenças infecciosas exigem uma boa reserva corporal de proteínas, algumas vitaminas só chegam ao destino se encontrarem gorduras no corpo e isso tudo requer um adequado peso corporal. A obesidade é uma doença, mas para ter saúde não é preciso perder tanto peso a ponto de chegar à condição de desnutrição.

 

 Com carinho,

Sheila Castro - Nutricionista

NAIS/VIVER BEM

sheila.castro@unimedsjc.coop.br

 

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